segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um perfume de nardo

Em verdade te digo: Não
espero a eternidade. E sei
que nenhum verso vence a morte.

Procuro apenas um sinal
um ritmo que me restitua
a impercetível respiração da terra.

Talvez os cabelos de Maria
irmã de Marta
a enxugar-me os pés.

Porque todos os poemas são mortais
e o que fica é talvez
um perfume de nardo. E nada mais.


Manuel Alegre
#minutopoema

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